APT36 evolui `ElizaRAT` com C2 em Slack, VPS e Google Cloud

APT36 evolui `ElizaRAT` com C2 em Slack, VPS e Google Cloud

Campanhas atribuídas ao Transparent Tribe combinam arquivos CPL, download de cargas secundárias e stealers voltados à coleta de documentos em sistemas Windows.

ComponenteElizaRAT, RAT para Windows usado pelo APT36, também conhecido como Transparent Tribe, com variantes SlackAPI.dll, Circle e baseFilteringEngine.dll.
VetorInfecções iniciadas por arquivos CPL, incluindo amostras distribuídas por links do Google Storage e, em outro conjunto, nomes de arquivo compatíveis com spear phishing.
ImpactoExecução de comandos remotos, download de cargas secundárias e coleta de documentos por payloads como ApoloStealer, extensionhelper_64.dll e ConnectX.dll.
PrioridadeCaçar execução de CPL, uso de rundll32.exe com DLLs incomuns, diretórios em %appdata% e tráfego para Slack API, VPS e Google Cloud Storage usados como C2.
ArtefatosMD5 2b1101f9078646482eb1ae497d44104, canais Slack C06BM9XTVAS e C06BWCMSF1S, diretórios %appdata%\SlackAPI, %appdata%\CircleCpl e %appdata%\BaseFilteringEngine.
IoCshttp://83.171.248[.]67/oneten.php, http://38.54.84[.]83/MiddleWare/GetTask, http://84.247.135[.]235:8080/phenomenon/SpotifyAB.zip e pasta Google 1Gwy3yPyyYJVoOvCMfsmhhCknC-tiuNFv.
Resumo técnico

O APT36, também rastreado como Transparent Tribe, mantém campanhas de espionagem contra organizações governamentais, pessoal diplomático e instalações militares indianas, com histórico de operações contra Windows, Linux e Android. Nas campanhas descritas, o grupo usa ElizaRAT, uma ferramenta de acesso remoto para Windows observada publicamente em 2023, que passou por mudanças de execução, evasão e comunicação de comando e controle. A evolução técnica não aparece como uma única alteração isolada: diferentes variantes do malware foram vinculadas a infraestruturas distintas, incluindo Telegram em variantes iniciais, Slack em SlackAPI.dll, VPS no conjunto Circle e Google Cloud Storage na variante baseFilteringEngine.dll.

O padrão operacional combina um carregador inicial em arquivo CPL, registro da vítima no canal de C2, consulta periódica por tarefas e acionamento de payloads secundários. Esses payloads automatizam coleta de informações e documentos, com foco em tipos de arquivo de produtividade, imagens, arquivos compactados e conteúdo em unidades fixas ou removíveis. A telemetria descrita indica que a ameaça não depende apenas do RAT principal: o valor operacional surge da orquestração entre o acesso remoto, o download seletivo de DLLs e stealers que indexam, armazenam metadados, comprimem ou enviam arquivos para servidores controlados pelo operador.

Fluxo técnico

Na variante SlackAPI.dll, compilada no fim de 2023 e executada como CPL, o malware lê o conteúdo de Userinfo.dll para registrar a vítima e passa a consultar comandos a cada 60 segundos. A comunicação fica centralizada na classe Communication, que usa a API do Slack para recuperar mensagens em https://slack[.]com/api/conversations.history?channel=C06BM9XTVAS&count=1&limit=1. A função FormatMsgs interpreta o conteúdo recebido e aciona funções em Controls. Para saída de dados e arquivos, SendMsg() pública em https://slack.com/api/chat.postMessage, SendFile() usa https://slack.com/api/files.upload, e DownloadFile() baixa arquivos a partir de uma URL fornecida usando HttpClient e token de bot.

O payload ApoloStealer foi usado em alvos específicos desse conjunto. Ele cria um arquivo de banco de dados, monta uma tabela com nome do arquivo, caminho, indicador, tipo e data de modificação, e varre áreas como Desktop, Downloads, OneDrive e unidades fixas, exceto C:\. O filtro prioriza extensões como .ppt, .docx, .pdf, .xlsx, .csv, .txt, .zip, .rar, .png, .jpg, .dwg, .heic e .psd, ignorando nomes iniciados por ~ ou !. Depois de armazenar os itens relevantes, envia os dados para http://83.171.248[.]67/oneten.php. O conjunto Circle muda a infraestrutura: um dropper executa BringCircle, extrai um ZIP embutido, cria %appdata%\CircleCpl, deposita PDF e MP4 de isca, cria um LNK com descrição Slack API File e executa o malware via Process.start(). A variante Circle envia applicationid.dll prefixado por x002> para http://38.54.84[.]83/MiddleWare/GetTask e, quando recebe instrução, baixa e extrai arquivos para executar SlackFiles.dll em %appdata%\SlackAPI.

Superfície afetada

A superfície observada é formada por estáções Windows expostas a arquivos CPL entregues por engenharia social ou por links de armazenamento em nuvem. Arquivos CPL têm risco operacional específico porque podem ser invocados por duplo clique, o que reduz a barreira de execução quando são mascarados com nomes de documentos. Em uma campanha, nomes como Amended Copy.cpl e um arquivo com sufixo .pdf.cpl indicam tentativa de se passar por documento relacionado a alerta ou exercício militar. O vetor inicial exato desse conjunto não está confirmado, mas os nomes de arquivo e o histórico do operador sustentam a hipótese de spear phishing.

Na campanha com Google Cloud, baseFilteringEngine.dll usa certificado X.509 para criar um objeto ServiceAccountCredential e autenticar uma conta de serviço do Google Cloud Storage. O malware lista arquivos na pasta pai 1Gwy3yPyyYJVoOvCMfsmhhCknC-tiuNFv, localiza o arquivo temporário associado à vítima, recupera comandos e registra ações. O comando suportado é Transfer, usado para baixar um payload de VPS e executá-lo com parâmetros. Um exemplo aciona rundll32.exe para chamar a função Mean em SpotifyAB.dll depois de baixar SpotifyAB.zip de http://84.247.135[.]235:8080/phenomenon/SpotifyAB.zip. As cargas citadas incluem extensionhelper_64.dll, entregue como SpotifyAB.dll ou Spotify-news.dll, e ConnectX.dll, com papéis distintos na coleta de arquivos.

  • Estáções Windows capazes de executar arquivos CPL recebidos por usuários-alvo.
  • Perfis de usuário com diretórios Desktop, Downloads, OneDrive e unidades fixas contendo documentos e arquivos compactados.
  • Ambientes onde rundll32.exe pode carregar DLLs de diretórios sob %appdata% sem bloqueio por política de aplicação.
  • Máquinas com uso de unidades externas, pois ConnectX.dll monitora inserção de discos via WMI.
Hunting e telemetria

A primeira linha de caça deve correlacionar criação e execução de arquivos CPL com processos incomuns e gravações em %appdata%. A execução por duplo clique tende a gerar cadeia de processo com carregamento de componente do Painel de Controle, seguida por criação de diretórios como %appdata%\SlackAPI, %appdata%\CircleCpl ou %appdata%\BaseFilteringEngine. A presença de iscas PDF ou MP4 criadas junto do executável não deve ser tratada como prova de documento legítimo; nesse fluxo, elas fazem parte da preparação do ambiente para ocultar a execução do RAT.

Na rede, a telemetria deve separar comunicações legítimas de Slack e Google Cloud de acessos anômalos iniciados por hosts de usuário fora do navegador ou de clientes corporativos esperados. A variante Slack consulta histórico de conversas e pública mensagens ou arquivos usando endpoints da Slack API, com canais C06BM9XTVAS e C06BWCMSF1S. A variante Google Cloud usa acesso a pasta específica e busca comandos que direcionam downloads de VPS. No endpoint, cargas como extensionhelper_64.dll criam banco SQLite, extraem SQLite.Interop.dll de ZIP protegido por senha em texto claro, enumeram arquivos em unidades fixas e atualizam um campo isUploaded após envio. Já ConnectX.dll usa a consulta WMI SELECT * FROM __InstanceCreationEvent WITHIN 2 WHERE TargetInstance ISA 'Win32_DiskDrive' para observar novos discos a cada dois segundos e arquiva arquivos encontrados em unidade externa.

  • Execução de rundll32.exe carregando SpotifyAB.dll, Spotify-news.dll, SlackFiles.dll ou DLLs em diretórios de usuário.
  • Criação de bancos SQLite por processos não corporativos logo após enumeração de documentos e imagens.
  • Consultas WMI recorrentes para Win32_DiskDrive combinadas com criação de arquivos ZIP em %appdata%\BaseFilteringEngine.
  • Tráfego para slack.com/api/conversations.history, slack.com/api/chat.postMessage, slack.com/api/files.upload ou VPS listados nos artefatos.
  • Arquivos de usuário enumerados por extensão, especialmente documentos Office, PDF, CSV, ZIP, RAR, TAR, JPG, PNG e formatos de apresentação.
Mitigação

A resposta deve começar pela contenção de endpoints que executaram CPL suspeito, criaram os diretórios de trabalho citados ou carregaram DLLs por rundll32.exe a partir de %appdata%. Como o RAT consulta comandos periodicamente, o isolamento reduz a janela para download de novas cargas. Em seguida, é necessário coletar árvore de processos, artefatos em disco, bancos SQLite, arquivos ZIP criados localmente e histórico de conexões para Slack API, VPS e Google Cloud Storage. A análise deve tratar ElizaRAT e os stealers como componentes de uma mesma operação quando houver sobreposição de diretórios, nomes de DLL e parâmetros de execução.

A prevenção deve bloquear execução de CPL originado de diretórios de download, anexos e caminhos graváveis pelo usuário, além de restringir rundll32.exe para DLLs fora de locais administrados. Controles de saída podem exigir inspeção por processo para diferenciar uso corporativo legítimo de Slack e Google Cloud de comunicação automatizada por binários desconhecidos. Em ambientes com usuários de alto risco, políticas de aplicação, allowlisting, bloqueio de anexos com dupla extensão e alertas para criação de tarefas agendadas ou LNKs suspeitos reduzem a efetividade da cadeia. Para máquinas afetadas, a revisão deve incluir documentos tocados pelos stealers, arquivos marcados como enviados nos bancos locais, conteúdo arquivado por ConnectX.dll e qualquer segredo que possa residir em documentos coletados.

  • Bloquear ou colocar em aprovação arquivos CPL recebidos por e-mail, navegadores e serviços de armazenamento.
  • Criar regras para rundll32.exe carregando DLLs em %appdata%, Downloads, Desktop ou diretórios criados recentemente.
  • Caçar e remover %appdata%\SlackAPI, %appdata%\CircleCpl e %appdata%\BaseFilteringEngine após coleta forense.
  • Revisar logs de proxy, EDR e DNS para os endpoints Slack API, URLs de VPS e pasta Google identificada.
  • Validar se arquivos sensíveis foram coletados ou arquivados localmente e ajustar permissões de documentos conforme o escopo do incidente.

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