Grupo alinhado à Rússia usa Viber para entregar Hijack Loader contra alvos ucranianos

Grupo alinhado à Rússia usa Viber para entregar Hijack Loader contra alvos ucranianos

A campanha atribuída ao UAC-0184 mira entidades militares e governamentais da Ucrânia com arquivos ZIP maliciosos, atalhos LNK disfarçados de documentos e implantação furtiva do Remcos RAT.

ComponenteCampanha do UAC-0184, também rastreado como Hive0156, usando Viber, arquivos ZIP, atalhos LNK, Hijack Loader e Remcos RAT contra entidades militares e governamentais ucranianas.
VetorMensagens no Viber entregam arquivos ZIP maliciosos com atalhos LNK mascarados como documentos do Microsoft Word e Excel; ao serem abertos, os atalhos exibem um documento isca e acionam a cadeia de carregamento em segundo plano.
ImpactoA cadeia reconstrói e executa o Hijack Loader em memória, estabelece persistência por tarefas agendadas e pode implantar o Remcos RAT para gerenciamento remoto, execução de cargas, monitoramento de atividades e roubo de dados.
PrioridadeBloquear entrega e execução de LNK recebidos por mensageria, revisar tarefas agendadas suspeitas, caçar carregamento em memória e isolar endpoints com sinais de Hijack Loader ou Remcos RAT.
ArtefatosZIP inicial distribuído via Viber, atalhos LNK, segundo arquivo smoothieks.zip, uso de script PowerShell sem comando operacional divulgado, chime.exe como processo de injeção e verificação de produtos de segurança por hashes CRC32.
TécnicasUso de documento isca, DLL side-loading, module stomping, evasão de assinaturas estáticas, enumeração de ferramentas de segurança e persistência por tarefas agendadas.
Resumo técnico

O UAC-0184, ator alinhado à Rússia e também identificado como Hive0156, foi observado em uma campanha contra organizações militares e governamentais da Ucrânia usando o Viber como canal inicial de entrega. A atividade mantém o foco de coleta de inteligência contra alvos ucranianos e amplia uma linha operacional já associada a temas de guerra, phishing e abuso de aplicativos de mensagem. O ponto relevante para defesa é a mudança do meio de entrega: em vez de depender apenas de e-mail, a cadeia usa uma plataforma de comunicação interpessoal para aumentar a chance de interação do destinatário com arquivos compactados recebidos fora dos controles tradicionais de gateway de correio.

A carga inicial chega como arquivo ZIP contendo múltiplos atalhos do Windows no formato LNK, apresentados como se fossem documentos oficiais do Microsoft Word ou Excel. Ao abrir o atalho, a vítima recebe um documento isca para reduzir suspeitas, enquanto a execução real ocorre em segundo plano. O fluxo baixa um segundo ZIP chamado smoothieks.zip a partir de servidor remoto por meio de um script PowerShell e, em seguida, reconstrói o Hijack Loader em memória. O loader prepara o ambiente, tenta contornar detecção e termina com a execução furtiva do Remcos RAT, ferramenta de administração remota frequentemente abusada em espionagem e roubo de dados.

Fluxo técnico

A cadeia começa com engenharia social por Viber e entrega de ZIP malicioso para usuários em órgãos militares ou governamentais ucranianos. Dentro do pacote, arquivos LNK usam aparência de documentos do Office para induzir abertura manual. Esse detalhe é importante porque o atalho não é apenas um ponteiro para um arquivo local: ele funciona como um acionador de execução. O documento isca mantém a interação visual coerente para a vítima, enquanto a lógica oculta inicia uma etapa PowerShell cujo conteúdo operacional não deve ser reproduzido, mas cuja função descrita é recuperar um segundo ZIP remoto e iniciar a montagem do loader.

Depois da recuperação do smoothieks.zip, o Hijack Loader é reconstruído e implantado em memória por um processo de múltiplas etapas. A campanha utiliza DLL side-loading e module stomping, duas técnicas voltadas a mascarar a execução sob componentes aparentemente legítimos ou a alterar regiões de código em módulos carregados. Esse desenho reduz a dependência de artefatos estáticos em disco e dificulta detecção baseada somente em assinaturas de arquivo. O loader também consulta o ambiente em busca de produtos de segurança associados a Kaspersky, Avast, BitDefender, AVG, Emsisoft, Webroot e Microsoft, calculando hashes CRC32 relacionados aos programas correspondentes.

A persistência é estabelecida por tarefas agendadas, o que dá ao operador uma forma de reativar componentes sem depender da sessão inicial. Antes de iniciar a etapa final, o loader realiza ações para reduzir a exposição a detecções estáticas. O Remcos RAT é então executado de modo encoberto por injeção em chime.exe. A presença do Remcos amplia o impacto potencial porque a ferramenta fornece controle remoto interativo e automatizado, execução de novas cargas, observação de atividades no host e capacidade de coleta de dados. O material analisado sustenta essas capacidades como parte do malware implantado, mas não detalha quais dados foram efetivamente exfiltrados em cada vítima.

Superfície afetada

A superfície principal envolve usuários de entidades militares e governamentais da Ucrânia que recebem arquivos por mensageria, especialmente quando controles de segurança estão concentrados em e-mail, proxy web e endpoint, mas não em fluxos de colaboração fora dos canais corporativos. O uso do Viber cria uma zona de risco porque o arquivo pode chegar por uma conversa percebida como legítima, com menos metadados corporativos disponíveis para análise centralizada. Ambientes Windows são o alvo técnico indicado pela presença de atalhos LNK, tarefas agendadas, PowerShell, DLL side-loading e injeção em processo.

A exposição também alcança equipes que permitem abertura de arquivos compactados recebidos por mensageiros em estáções administrativas ou máquinas com acesso a documentos sensíveis. A campanha não depende, pelo material analisado, de uma vulnerabilidade de software específica ou de exploração sem clique; ela depende da interação do usuário com o arquivo e da permissão local para executar a cadeia acionada pelo LNK. Isso coloca controles de execução, política de anexos, restrição de scripts e visibilidade de endpoint no centro da resposta defensiva.

  • Usuários Windows que recebem ZIP por Viber e abrem atalhos LNK disfarçados de documentos Word ou Excel.
  • Estáções de entidades militares e governamentais ucranianas com permissão para execução de scripts e criação de tarefas agendadas.
  • Ambientes onde mensageria externa não passa por inspeção equivalente à aplicada a e-mail corporativo.
  • Endpoints nos quais a criação de processos, carregamento de DLL e injeção em chime.exe não geram alerta de alta severidade.
Hunting e telemetria

A caça deve correlacionar a chegada de arquivos compactados por aplicativos de mensagem com execução de LNK, invocação de PowerShell e criação de processos incomuns na sequência imediata. O objetivo não é procurar apenas um nome de arquivo específico, mas identificar o padrão: arquivo ZIP recebido por canal de mensageria, atalho com aparência de documento, documento isca aberto e execução paralela de componentes de carregamento. A presença do nome smoothieks.zip é um artefato útil, mas a defesa não deve depender exclusivamente dele, pois operadores podem alterar nomes sem mudar a lógica da cadeia.

No endpoint, sinais relevantes incluem tarefas agendadas criadas por usuários que não administram sistemas, processos do Office ou do shell iniciando intérpretes de script, carregamento de DLL a partir de diretórios incomuns, alterações de memória compatíveis com module stomping e execução de Remcos RAT injetado em chime.exe. Também é útil monitorar tentativas de enumeração de produtos de segurança, especialmente quando um processo recém-criado calcula ou compara valores CRC32 ligados a softwares de proteção. Em rede, a telemetria deve priorizar conexões saindo logo após abertura de anexos de mensageria, com atenção a downloads de ZIP e comunicação subsequente de ferramenta de acesso remoto.

  • Execução de LNK a partir de diretórios temporários, pastas de download ou caminhos usados por clientes de mensageria.
  • PowerShell iniciado por atalho ou shell gráfico após abertura de arquivo compactado, com download remoto de outro ZIP como efeito observado.
  • Criação de tarefas agendadas logo após interação do usuário com suposto documento Word ou Excel.
  • Carregamento lateral de DLL, alteração de módulos em memória e injeção de código envolvendo chime.exe.
  • Sinais de Remcos RAT, incluindo controle remoto, execução de cargas adicionais, monitoramento de atividade e tentativa de coleta de dados.
Mitigação

A resposta defensiva deve começar pelo bloqueio do caminho de entrada. Organizações expostas a esse perfil de ameaça precisam tratar anexos recebidos por mensageria com a mesma severidade aplicada a anexos de e-mail: quarentena de ZIP, bloqueio ou inspeção de LNK, análise em sandbox e orientação para que documentos oficiais circulem por canais autenticados. Em endpoints Windows, políticas de redução de superfície de ataque devem impedir que atalhos e documentos acionem scripts sem necessidade operacional, além de registrar de forma detalhada criação de processos filhos e downloads iniciados por componentes do shell.

Para máquinas com indícios da cadeia, a contenção exige isolamento do endpoint, preservação de artefatos de memória e revisão de tarefas agendadas antes de qualquer limpeza apressada. A equipe deve remover persistência, validar se há Remcos RAT ou Hijack Loader residente, revisar conexões externas associadas ao período de abertura do arquivo e verificar se credenciais do usuário afetado foram usadas em outros sistemas. Como a campanha mira inteligência militar e governamental, a análise deve incluir contas, documentos acessados e recursos de rede alcançáveis a partir do host, mantendo a conclusão limitada às evidências coletadas.

  • Bloquear ou submeter a sandbox arquivos LNK e ZIP recebidos por Viber e outros aplicativos de mensagem usados em ambiente sensível.
  • Aplicar políticas que restrinjam execução de PowerShell iniciada por atalhos, shell gráfico ou documentos não confiáveis.
  • Monitorar e revisar tarefas agendadas criadas fora de janelas administrativas aprovadas.
  • Isolar endpoints com suspeita de Hijack Loader ou Remcos RAT e preservar memória, árvore de processos e histórico de rede.
  • Revisar telemetria de acesso remoto, execução de cargas adicionais e possível coleta de dados sem assumir exfiltração além do que os logs confirmarem.

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