
Campanha REF6598 usa engenharia social, cofres compartilhados do Obsidian e sincronização de plugins comunitários para acionar loaders, resolver C2 por blockchain e manter acesso remoto em Windows.
| Componente | Obsidian, sincronização de plugins comunitários, plugins Shell Commands e Hider, loader PHANTOMPULL e backdoor PHANTOMPULSE em Windows. |
| Vetor | Engenharia social por LinkedIn e Telegram induz a vítima a abrir um cofre hospedado em nuvem no Obsidian e habilitar manualmente a sincronização de plugins comunitários. |
| Impacto | Execução de código por funcionalidade legítima do Obsidian, carregamento em memória do PHANTOMPULSE, comunicação C2 via WinHTTP, coleta de telemetria, execução de comandos, upload de arquivos ou capturas de tela e captura de teclas. |
| Prioridade | Bloquear a habilitação não autorizada de plugins comunitários em cofres recebidos de terceiros, revisar processos filhos do Obsidian e investigar vaults com configurações JSON capazes de acionar comandos. |
| Artefatos | A cadeia observada usa PHANTOMPULL como loader intermediário no Windows e PHANTOMPULSE como backdoor; no macOS, usa AppleScript ofuscado e resolução alternativa por Telegram. |
| C2 | PHANTOMPULSE resolve o servidor de comando e controle consultando a transação mais recente associada a uma carteira Ethereum codificada no malware. |
A campanha REF6598 explora confiança operacional, não uma falha clássica de software, para transformar o Obsidian em um canal de acesso inicial. O fluxo começa com abordagem direcionada a pessoas dos setores financeiro e de criptomoedas, primeiro em uma rede profissional e depois em um grupo no Telegram. A conversa é apresentada como se envolvesse uma firma de capital de risco e supostos parceiros discutindo serviços financeiros e soluções de liquidez para criptoativos, criando um cenário plausível para convencer o alvo a acessar um painel compartilhado.
O ponto técnico central é o cofre do Obsidian hospedado em nuvem. A vítima recebe credenciais para abrir esse conteúdo e, em seguida, é induzida a ativar a sincronização de plugins comunitários instalados. Essa opção fica desabilitada por padrão e não pode ser ligada remotamente, o que torna a etapa de persuasão indispensável para a cadeia. Quando a vítima cruza essa fronteira manualmente, configurações maliciosas do cofre passam a acionar funcionalidades legítimas do aplicativo, especialmente o plugin Shell Commands, usado para executar código, e o plugin Hider, usado para ocultar elementos da interface e reduzir sinais visuais de alteração.
No Windows, a cadeia usa comandos acionados pelo Shell Commands para invocar um script PowerShell com função de estágio inicial. O comando operacional em si é omitido, mas o efeito defensivamente relevante é a entrega do PHANTOMPULL, um loader intermediário que descriptografa e inicia o PHANTOMPULSE diretamente em memória. Essa escolha reduz dependência de artefatos executáveis óbvios em disco e desloca a detecção para comportamento de processo, relação pai-filho e leitura de configurações do cofre.
O PHANTOMPULSE é descrito como um backdoor gerado com apoio de inteligência artificial e implementado para acesso remoto em Windows. Depois de iniciado, ele usa a blockchain Ethereum como mecanismo de resolução de C2: a amostra consulta a transação mais recente ligada a uma carteira codificada e extrai dali o endereço de comando e controle. Com o endereço resolvido, a comunicação ocorre por WinHTTP. As capacidades confirmadas incluem envio de telemetria do sistema, recebimento de comandos, transmissão de resultados de execução, upload de arquivos ou capturas de tela e registro de teclas. O contexto também cita um comando elevate, associado à tentativa de elevação para SYSTEM por meio de moniker de elevação COM.
No macOS, a mesma ideia de abuso do cofre do Obsidian aparece com outro caminho de execução. O plugin entrega um AppleScript ofuscado que percorre uma lista de domínios codificada e usa Telegram como resolvedor morto para obter infraestrutura alternativa. Em seguida, o script contata o domínio C2 para baixar e executar uma segunda etapa via osascript. A natureza exata dessa segunda etapa não foi confirmada porque os servidores C2 estavam offline no momento observado. A intrusão relatada não chegou ao objetivo final do operador, pois a atividade foi detectada e bloqueada antes da conclusão.
A exposição prática recai sobre usuários que tratam cofres compartilhados do Obsidian como conteúdo confiável, principalmente quando esses cofres vêm de contatos recentes, supostos parceiros comerciais ou conversas migradas para mensageria. A campanha depende de um usuário habilitar a sincronização de plugins comunitários, portanto ambientes que proíbem ou restringem plugins externos reduzem substancialmente a chance de execução. Ainda assim, a técnica é relevante porque usa uma aplicação legítima, assinada e baseada em Electron como processo responsável por entregar a execução, o que pode enfraquecer controles que esperam um binário desconhecido como ponto inicial.
Os alvos descritos estão ligados a finanças e criptoativos, mas a técnica não é limitada a esse setor. Qualquer fluxo corporativo em que usuários aceitem cofres, notas, painéis ou espaços colaborativos de terceiros pode ser exposto se a política local permitir plugins comunitários e se a equipe não monitorar alterações em arquivos de configuração do Obsidian. O payload também viver em arquivos JSON de configuração torna menos eficaz uma defesa centrada apenas em assinatura de antivírus tradicional.
- Usuários de Windows e macOS que abrem cofres do Obsidian recebidos de terceiros.
- Ambientes que permitem a sincronização de plugins comunitários sem aprovação administrativa.
- Estáções em que o Obsidian pode iniciar PowerShell, AppleScript ou processos auxiliares sem alerta.
- Contas de usuários envolvidos em finanças, investimento, liquidez de criptoativos ou análise de negócios.
A investigação deve começar pela relação entre Obsidian e processos filhos incomuns. Em Windows, o foco defensivo é identificar o Obsidian iniciando interpretadores ou ferramentas de automação, especialmente quando o evento aparece logo após abertura de um cofre recém-sincronizado. Também é relevante correlacionar criação ou modificação de arquivos JSON dentro do diretório do vault com execução subsequente de PowerShell, carregamento em memória e tráfego WinHTTP para endereços que não fazem parte do uso esperado do aplicativo.
Em macOS, a telemetria deve observar execução de AppleScript e osascript originada indiretamente por uso do Obsidian, além de conexões para domínios codificados ou consultas a serviços usados como resolvedores alternativos. Como a campanha usa Telegram como mecanismo de fallback e blockchain Ethereum para resolução em Windows, bloqueios simples por domínio podem não ser suficientes. O hunting deve buscar a sequência completa: abordagem social, entrada em grupo de mensageria, abertura de vault externo, ativação de plugins, alteração de interface e execução de processo.
- Obsidian criando processos como PowerShell, AppleScript ou
osascriptsem justificativa administrativa. - Ativação recente de sincronização de plugins comunitários em cofres recebidos fora de canais corporativos.
- Uso dos plugins
Shell CommandseHiderem vaults associados a contatos externos. - Comunicação WinHTTP iniciada após carregamento em memória de um binário ou estágio não reconhecido.
- Tráfego relacionado a resolução de C2 por blockchain ou uso de Telegram como mecanismo de fallback.
A resposta deve priorizar contenção da cadeia de confiança. Organizações que usam Obsidian devem definir política explícita para plugins comunitários, separar cofres internos de cofres recebidos de terceiros e impedir que a sincronização de plugins seja ativada sem revisão. Para equipes que não dependem desse recurso, a medida mais direta é desabilitar plugins comunitários ou limitar sua execução a listas aprovadas. Onde o uso for necessário, plugins capazes de executar comandos devem ser tratados como componentes de alto risco, com revisão de configuração e monitoramento de processo.
Em endpoints já expostos, a triagem deve coletar o vault suspeito, registrar quais plugins estavam habilitados, preservar arquivos JSON de configuração e revisar logs de criação de processos no intervalo em que o cofre foi aberto. No Windows, a análise deve procurar evidências de PHANTOMPULL e PHANTOMPULSE, carregamento em memória, consultas associadas ao mecanismo de resolução por Ethereum e comunicação WinHTTP fora do padrão. No macOS, a revisão deve cobrir AppleScript ofuscado, execução por osascript e tentativas de contato com domínios usados para segunda etapa. Como a campanha depende de persuasão individual, controles técnicos precisam ser acompanhados por orientação específica sobre cofres colaborativos, convites de investimento e migração de conversas profissionais para grupos de mensageria.
- Restringir plugins comunitários do Obsidian e revisar especialmente plugins com capacidade de executar comandos.
- Bloquear ou alertar quando Obsidian iniciar interpretadores, scripts ou processos de automação.
- Isolar a estáção se houver evidência de PHANTOMPULL, PHANTOMPULSE, keylogging, captura de tela ou execução de comandos.
- Revisar cofres compartilhados, arquivos JSON de configuração e alterações destinadas a ocultar elementos da interface.
- Treinar equipes expostas a contatos de investimento e criptoativos para validar convites, vaults e credenciais por canal independente.
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